sábado, 30 de agosto de 2008

Nem Freud, nem Lacan...Clarice me entenderia...

Entre frases e jogo de luzes, eis que entro na exposição de Clarice Lispector, no CCBB Rio. Sentir: essa é a palavra que expressa o que aconteceu no momento. É ler e sentir, cada letra, cada palavra, cada vida, cada momento, cada imagem.

E entre uma saleta e outra, me deparo com Clarice. A próprio, numa entrevista à Tv Cultura, em 1977, ainda em preto e branco, mas muito real. Conflitos, entendimentos e desentendimentos, amores...enfim...entre um cigarro e outro e os dedos marcados pela digitação da máquina de escrever da época, ela fala sobre vida...com o olhar sempre vazio. É isso: vida! Coisas banais que se tornam complexas a cada fala. Não complexas por serem difíceis, mas complexas de significação, de importância. Entre frases como: "Tem período que a vida é intolerável" e "quando me comunico com o adulto, me comunico com o mais secreto de mim mesma ... aí é complicado" ela fala com propriedade, mas sem modestia, sobre a vida e seus conflitos e a nessidade de se entender e ser entendida.

E para os que pediram, aí estão algumas frases da exposição:


"Viver não é relatável; viver é vivível"
"Essa coisa sobrenatural que é viver. O viver que eu havia domesticado para torná-lo familiar"
" .. descobrir que não tenho um dia-a-dia. É uma vida-a-vida. E que a vida é sobrenatural"
"...morrer vai ser o final de alguma coisa fulgurante: morrer será um dos mais importantes atos de minha vida".
" Vida é o desejo de continuar vivendo e viva é aquela coisa que vai morrer. A vida serve é para se morrer dela".
" Eu que jamais me habituarei a mim, queria que o mundo não me escandalizasse"
" O que eu sinto eu não ajo. O que ajo, não penso. O que penso, não sinto. Do que sei, sou ignorante. Do que sinto, não ignoro. Não me entendo e ajo como se me entendesse".

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Nem tudo é o que imaginamos...

Depois de um mês (só pra variar) li a matéria de Clarah Averbuck, na revista Bravo de julho, sobre o filme Nome Próprio. Revista pra mim é assim: para saborear aos poucos e não para devorar de imediato. Enfim...

O longa foi baseado no livros Máquina de Pinball e Vida de Gato de Clarah. No entanto, ao assistir o filme a impressão que nos dá é que se baseia na vida dela e seus escritos no blog Brasileira!Preta. Mas, de acordo com a matéria, escrita por ela mesma, houveram alguns equívocos no roteiro. Realmente o blog dela foi um dos primeiros do Brasil e causou muita polêmica, já que falava sobre a vida dela, seu cotidiano, mesmo que em 3ª pessoa, como se fosse ficção. Mas não....era sobre a vida dela. E não foram esses escritos que ela utilizou nos livros, como mostra o filme. Ela já havia acabado o Máquina de Pinball quando o burburinho de seu blog estourou.

Na matéria ela diz: "Posso até julgá-lo um bom filme, com grande atuação, mas, como adaptação da minha obra, muita coisa incomoda. Ainda estou digerindo Nome Próprio."

Opinião mais direta e sincera, impossível!

É bom sabermos a o
pinião de escritores que têm seus livros adaptados para a telona. Porque pelo que já li, a maioria não aprova o resultado...aliás, muitas vezes até o público.

Os outros livros de
Clarah são: Máquina de Pinball (Editora Conrad ); Das coisas Esquecidas Atrás da Estante (Editora 7 Letras) e Vida de Gato (Editora Planeta). Agora ela está com outro blog: Adiós Lounge.

Personagem Camila, por Leandra Leal

sábado, 23 de agosto de 2008

Fim da tensão...

Depois de uma semana tensa, só um fim de semana fresco para acalmar os nervos.

Acabei de saber que o CCBB Rio está com uma exposição sobre Clarice Lispector. Cenários da novela de mesmo nome da obra literária da escritora, A Hora da Estrela, e vídeos com entrevistas.

Depois escrevo uma crítica.

Por hoje é só...

terça-feira, 12 de agosto de 2008

escrever...

escrever, escrever e escrever. é só o que tento fazer, sem saber pra quê!
iluminar meus pensamentos, angústias, dores, delírios? não sei.. e a incerteza às vezes leva ao desespero incontrolável. tempo...esse indefinido, mas que em algum momento nos dá as repostas, cedo ou tarde...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

seu jorge e eu, eu e seu jorge


Inacreditável, mas precisei ir à Vitória pra conhecer Seu Jorge. Sim, o próprio. Depois de muito álcool, sentei ao seu lado no bar e saí a fazer perguntas...imaginem... Desde seu álbum com minha diva Ana Carolina, ao cd Cru, gravado fora do país. De acordo com Seu Jorge, o cd com Ana não era ser pra ser gravado. Foi insistência dela. Enfim...acho que o resto do assunto não devo postar, pois muita coisa pode ser mal interpretada. Sei lá!!!


Bom...era isso!!

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Livros

A partir de hoje escreverei apenas sobre livros. Livros esses que estou lendo para algumas provas da vida..hehehe

Chega de melodramas emocionais pessoais...e a vida segue seu rumo sem perder o foco, jamais!

terça-feira, 29 de julho de 2008

...

Eu vou atravessar o rio a deslizar
que me separa de você
O tempo atravessa em meu lugar
e deixo pra depois o que eu tinha que fazer
O destino aceito sem dizer sim ou dizer não
sem entender
e fica a sensação de saber exatamente porque mentir
Eu sei de onde vim e pra onde irei
mas com você fico sem saber onde estou
Nós dois que sequer nos parecemos
e não cabemos num mesmo espelho
mas nos olhamos toda manhã
A ferrugem mesmo pouca
corrói os trilhos
As ruas nos atravessam
sem olhar pro lado
estou em você

ana carolina

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É...algo anda acontecendo dentro de mim...enfim...confusa...preciso de um tempo sozinha, tempo esse indefinido...

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Existencialismo...

Alguns acham besteira, outros sofrem muito, e tem os que tentam entender. Independente da colocação de cada um, o fato é: cada dia mais encontramos pessoas em crises existenciais. Umas mais, outras menos. Toda a dor, angústia, falta de ar, pés fora do chão, falta de horizonte, são sensações que machucam o interior do ser humano de um forma destrutiva. Muitas vezes até suicída. E não é voluntário...o que torna o sentimento ainda pior. Porque só um masoquista iria gostar de viver assim: sentindo dor.

Repensei muito sobre isso depois de assistir ao longa Nome Próprio, de Murilo Salles, estrelado magnificamente pela atriz Leandra Leal. Mundo dos blogs à parte ( porque esse tema ainda rende outra postagem) me foquei na crise pessoal da personagem Camila. Como que em pouco tempo foi possível assistir a dois filmes com os quais me identifiquei tanto (Na Natureza Selvagem foi o primeiro). Muitas vezes não observo apenas a estética cinematográfica, ou que diretor fez o filme. Observo muito o tema e os pensamentos das personagens.

É muito fácil julgarmos vidas, escolhas, sentimentos, ações e tudo mais quando não nos diz respeito. Quando o "problema" é da pessoa ao seu lado, à sua frente, atrás...enfim, quando não é com você. Perturbações emocionais, mentais, psicológicas não são possíveis de serem vistas. Apenas sentidas. E aí é que mora o perigo: como o outro poderá compreender, se ele não vê? Essa é a teoria de muitos, ou da maioria das pessoas por aí. E para mim isso é apenas a comprovação do mundo egoísta e individualista em que vivemos. Só importa o que acontece com nós mesmos.

Enfim...para os que acham que falei baboseira, ótimo! Para o que se identificaram, ótimo também! Não acho que temos que convenser ninguém de nada, mas pelo menos que reflitam.

É isso!!

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Título: Nome Próprio
Direção: Murilo Salles
Roteiro: Elena Soarez, Murilo Salles e Melanie Dimantas, baseado nos livros "Máquina de Pinball" e "Vida de Gato", de Clarah Averbuck, e em textos publicados pela autora em seu blog pessoal.
Duração: 130 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 2008

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Em busca...

Às vezes pensamos coisas nas quais não entendemos. Mas, em algum momento, algo acontece, ou alguém aparece e diz coisas como se estivéssemos nos ouvindo. Foi o que aconteceu comigo ao assistir ao longa Na natureza selvagem, dirigido por ninguém menos que Sean Penn.

Foi indicação de um colega. Não sabia bem ao certo sobre o que era. Por isso foi tão tocante e emocionante ao mesmo tempo. Cada palavra e pensamento que eu via na tela, era como ler meus próprios pensamentos.

Não era cinema...era vida! Isso mesmo, vida acontecendo ali, naquele momento. Eu não estava sentada em uma poltrona, no escuro, com ar refrigerado. Eu estava lá, na estrada, carregando mochila, andando pelo asfalto quente, pegando sol na cara. Eu estava junto com ele, o personagem Christopher McCandless ou Alexander Supertramp (Emile Hirsch).

Muitos não entendem o que é precisar sair, ou querer sair... sentir a necessidade de sair. E não sair de dentro de uma casa, de um estabelecimento apenas...é sair da sua vida, o que também não significa morrer. É sair da vida que leva, da infelicidade de cada dia, com pessoas estranhas, com rotina estranha...sair daquilo que o atormenta de alguma forma. E isso não é fugir! Pelo contrário. Vejo isso como a procura da cura. Sim, cura! Cura de ter que frequentar lugares e conviver em sociedade de forma hipócrita e falsa. Ou como dizem agora: FAKE!

Um resumo bem rápido: o filme conta e história de um jovem, que ao fim da faculdade foge para o Alaska, em busca de respostas para seus questionamentos.

E é isso. Em algum momento temos vontade de sumir mesmo; largar tudo para trás. Começar do zero! Mesmo que não seja pra sempre, que seja o tempo necessário para se purificar, se curar, se iluminar.

Se você nunca pensou nisso, parabéns! Mas para os que, como eu e
Christopher McCandless, pensamos nisso, e no caso dele agiu, não pense que está sozinho. E saber disso sempre conforta.

Ps.: Só um pequeno detalhe: é um caso real!

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Título: Na Natureza Selvagem ( Into the Wild)
Direção: Sean Penn
Ano: 2007
Roteiro: Sean Penn, baseado em livro de Jon Krakauer

sábado, 5 de julho de 2008

Sentimentos...

Sentimento é algo inexplicável. De repente esse é o barato mesmo. Não é pra explicar, é apenas pra sentir!
Mas no meio do tumulto interno emocional a gente procura uma saída que explique algo...
Porque, como diz minha amiga Lispector: eu preciso pelo menos achar que entendo, senão eu piro!
E essas situações são tão inusitadas que nos deixa um pouco tontos.
Preciso concentrar minhas energias em outras coisas, frequentar mais o Parque Lage pra relaxar e deixar a vida me mostrar os caminhos, sem perder o foco.
Vida insana da po...a!!